Oradora: Teresa Silva (Centro de Oceanografia, FCUL)
Gymnodinium catenatum é um dinoflagelado nocivo (HAB-harmful algal blooms), característico do fitoplâncton de Portugal. É uma espécie produtora de neurotoxinas responsáveis pela síndrome humana “intoxicação paralisante por marisco” (PSP- paralytic shellfish poisoning).
Desde 1985 que têm vindo a ser observados blooms desta espécie ao longo da costa portuguesa. Estes episódios representam não só uma ameaça para saúde pública, como são causa de importantes perdas económicas.
No ciclo de vida de G. catenatum, a reprodução sexuada caracteriza-se pela formação de, um zigoto não flagelado, o quisto de resistência, que se deposita nos fundos marinhos. Em muitas espécies o período de dormência obrigatória é longo e os quistos funcionam como bancos de sementes para o restabelecimento anual das populações planctónicas. A espécie G. catenatum apresenta um período de dormência obrigatória muito curto, cerca de uma semana, e não está ainda esclarecido o papel destas estruturas na iniciação dos blooms na costa Portuguesa.
Neste trabalho estudou-se a distribuição, abundância e fisiologia dos quistos viáveis de G. catenatum presentes na plataforma NW de Portugal, com o objetivo de avaliar a existência de um banco de quistos relevante para a dinâmica dos blooms.
Os resultados apresentados foram obtidos em dois cruzeiros oceanográficos efetuados em 2010 e 2011 (no fim do verão), na região entre Aveiro e Figueira da Foz. No laboratório foram estudados três parâmetros fisiológicos: (1) taxa de germinação, (2) G50 (tempo necessário para que ocorra germinação de 50% dos quistos) e (3) viabilidade pós-meiótica (> 8 células).
Os resultados indicam uma abundância reduzida de quistos viáveis (com conteúdo celular) nos sedimentos da plataforma. Em 2010 os quistos apresentaram valores reduzidos de G50 (2-4 dias) elevadas taxas de germinação (71-82%) e elevadas taxas de viabilidade pós-meiótica (69-92%). Os resultados de 2011 sugerem um decréscimo geral do estado fisiológico dos quistos, que se refletiu sobretudo na redução das taxas de germinação (35-73%) e no aumento da variabilidade do G50 (0-6 dias).
Este trabalho representa uma primeira tentativa de quantificar o papel desempenhado pelos quistos de resistência bentónicos na iniciação de blooms de G. catenatum em regiões de upwelling.