> DEPARTAMENTO DE FÍSICA
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História


História recente

 
O Departamento de Física integra a Faculdade de Ciências da Univer­sidade de Lisboa, criada em 1911 na sequência da implantação da Repú­blica. Tendo sucedido à Escola Politécnica de Lisboa, fundada em 1837, no período do libera­lismo, a Faculdade de Ciências ofereceu até 1964 uma licenciatura em Ciências Físico-Químicas e teve, ao nível da investigação em física, um grupo muito activo liderado por Cyrillo Soares que, apesar das vicissitudes sofridas, associadas ao desmembramento do seu grupo no período de Salazar, esteve na origem da investigação experimental em física atómica e nuclear levada a cabo nesses primeiros anos.
 
A partir dos anos setenta multiplicaram-se as áreas de investigação teóricas e experimentais e o Departamento de Física, criado precisamente em 1982, na sequência da organização departamental das universidades portuguesas, passou a incluir áreas como: física matemática e fundamental, física nuclear, física atómica, física molecular, física da matéria condensada, geofísica, oceanografia e meteorologia, electrónica e instrumentação, biofísica e física médica, e história das ciências. Resultante em larga medida da formação de muitos docentes em universidades prestigiadas no estrangeiro, este incremento de actividade veio a reflectir-se em novas orientações ao nível dos currícula das licenciaturas oferecidas pelo DF, novas infra-estruturas de suporte ao ensino e investigação experimentais, bem como em numerosos projectos de investigação. Hoje com um corpo docente exclusivamente constituído por doutorados, com trabalho reconhecido internacionalmente, o DF participou na formação de vários físicos com carreiras de relevo em Portugal e no estrangeiro, tanto em universidades como nos politécnicos e na indústria, ao mesmo que tempo que já formou numerosos professores do ensino básico e secundário.
 
Antes da Faculdade
 
 
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa é herdeira directa da Escola Politécnica, fundada em 1837, no período do liberalismo, uma instituição de ensino superior técnico que se constituiu como alternativa, em conjunto com a Academia Politécnica do Porto, à Universidade de Coimbra, onde se privilegiava o ensino das leis face ao das ciências matemáticas, físicas e naturais, embora aí existissem a Faculdade de Filosofia e a Faculdade de Matemática, onde aquelas ciências eram ministradas. Até ao incêndio que destruiu parte das instalações da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em Março de 1978, a Faculdade de Ciências ocupou o edifício da sua antecessora, na Rua da Escola Politécnica, instalações por sua vez ocupadas anteriormente por outras instituições que, também elas, desempenharam papel de relevo no panorama intelectual do país.
 
Tinha sido nesse local, conhecido pela Quinta da Cotovia, Monte Olivete, que se instalara o Colégio Real dos Nobres (1761), um dos esteios da reforma do ensino (o outro seria a reforma de 1772 da Universidade de Coimbra) levada a cabo pelo Marquês de Pombal, e cujas referências eram os ideais iluministas configurados por um racionalismo científico. Foi no Colégio dos Nobres que se assistiu pela primeira vez em Portugal (embora sem continuidade), à introdução da disciplina de física experimental no currículo escolar. Ai se instalou um magnífico Gabinete de Física que, em 1772, foi transferido, por ordem do Marquês de Pombal, para a Universidade de Coimbra, simultaneamente com o seu criador, o italiano (proveniente da Universidade de Pádua) Giovanni dalla Bella, o primeiro professor universitário de física, em Portugal.
 
Os primeiros anos da Física na Faculdade de Ciências
 
 
No início do século XX em Portugal, as faculdades, apesar de regulamentação em sentido contrário, continuavam a ser encaradas essencialmente como instituições de ensino. As disciplinas leccionadas na Faculdade de Ciências dividiam-se por três secções, incluindo-se as disciplinas da área da física na 2ª Secção (de Ciências Físico-Químicas). Até 1946, os alunos desta área saíam, pois, licenciados em Ciências Fí­sico-Químicas, altura em que passou a ser oferecida também uma licenciatura em Ciências Geofísicas, para fazer face às necessidades crescentes de técnicos em meteorologia. Só com a reforma de 1964 é que a licenciatura em Físico-Químicas deu lugar a duas licenciaturas separadas, uma em Física e a outra em Química.
 
É a partir de 1929 que, na Faculdade de Ciências e pela mão de Cyrillo Soares, se inicia investigação científica na área da física. Não sendo um investigador, foi capaz de criar à sua volta, no chamado Laboratório de Física da Universidade de Lisboa, um verdadeiro grupo de investigação, situação rara no contexto português da altura. Este grupo muito dinâmico apostou no estudo da radioactividade e da espectroscopia dos raios X, e contou entre os seus elementos com Manuel Valadares e Aurélio Marques da Silva, ambos tendo obtido os seus doutoramentos na Universidade de Paris, sob supervisão de Marie Curie. Entre 1931 e 1946, dez dos dezoito colaboradores de Cyrillo Soares obtiveram o grau de doutor. No entanto esta actividade viria a ser cerceada, em Junho de 1947, por uma decisão governamental, tomada por motivos políticos, que afastou da universidade portuguesa muitos dos seus melhores professores e investigadores. Entre eles contavam-se Valadares, Marques da Silva e Armando Gibert, também do grupo. Segue-se-lhes o pedido de demissão de Cyrillo Soares.
 
Na sequência destes acontecimentos serão chamados para assegurar a docência das várias disciplinas de física António da Silveira, do Instituto Superior Técnico e Júlio Palácios, um especialista em Termodinâmica. Este último virá a desempenhar ainda as funções de Director do Centro de Estudos de Física do Laboratório de Física (entre 1948 e 1952). A actividade do que restou do grupo de Cyrillo Soares foi continuada graças a Lídia Salgueiro, uma das ex-alunas de Manuel Valadares, e, mais tarde, a José Gomes Ferreira, a que se veio juntar Maria Teresa Gonçalves, entre outros elementos. Apostou-se, já depois da substituição de Júlio Palácios na direcção do Centro, em reforçar linhas de investigação associadas aos domínios estudados desde o nascimento do Laboratório de Física. Em 1963, foi iniciada uma nova linha de investigação em espectroscopia nuclear experimental (introduzida por Fernando Bragança Gil, então colaborador voluntário do centro, após o seu regresso do Institut de Physique Nucléaire da Universidade de Paris) e, a partir de 1968, toda a actividade científica do Centro passou, de acordo com as directrizes do Instituto de Alta Cultura, a estar organizada em projectos de investigação financiados.
 
Depois da Revolução de Abril, a partir de 1975, procedeu-se à reorganização das instituições associadas à investigação científica, assistindo-se à cisão do antigo Centro de Física no Centro de Física Nuclear da Universidade de Lisboa e no mais tarde designado Centro de Física Atómica da Universidade de Lisboa. Juntou-se-lhes o Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa. A dirigi-los ficaram Fernando Bragança Gil, José Gomes Ferreira e José Pinto Peixoto, respectivamente.




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